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 The Get Down  





 The Get Down é uma série original Netflix criada por Baz Luhrmann e Stephen Adly Guirgis. Não faço ideía de quem seja essa última pessoa, mas quanto à Baz, considero um dos mais brilhantes diretores do cinema, que pude acompanhar através de obras como Romeu + Julieta, Moulin Rouge e O Grande Gatsby. Seu estilo é exagerado, colorido e grandiloquente, sempre fazendo o uso da música pop como complemento para que suas obras se tornem mais atrativas e emocionantes.
 Foi uma grande surpresa quando fiquei sabendo que o australiano seria responsável por uma série sobre o inicio do hip-hop na Nova York de 1977. Esse ano foi marcante pra história da metrópole, como já tinha visto no grande filme de Spike Lee, O Verão de Sam e num excelente documentário que vi na VH1, NY77 The Coolest Year in Hell, que mostrava como a mega cidade era suja, violenta , decadente, mas onde também a cultura fervilhava, através do surgimento do Punk e da cultura Hip-Hop.
 Na série, temos personagens maravilhosos como Zeke "books", ou melhor Ezekiel Figuero, poeta meio negro, meio porto-riquenho que ama loucamente Mylene Cruz, moça filha do pastor Ramon, que brilha no coral da igreja mas que, na verdade sabe que tem o potencial de ser a próxima Diva Disco dos Estados Unidos. Zeke tem seus fiéis amigos, como Ra-Ra, Boo-boo e Marcus "Dizzee". Quando, por acaso, finalmente conhecem a lenda local Shaolin Fantastic, descobrem que podem estar fazendo parte de uma revoluçao cultural que pode mudar o mundo.
 Daí pra frente, terão que cruzar o caminho da dona do crime no pedaço (Fat Annie), e pior ainda, do filho dela (Cadillac), Mylene vai ter que abrir mão da sua família para lutar por seu sonho, Zeke vai ter que escolher entre uma oportunidade de emprego e crescimento oferecida pelo defensor da comunidade Francisco "papa fuerte" ou a chance de usar seu talento com as palavras juntamente com o tambem talentoso, mas barra-pesada Shaolin Fantastic.
  Quando vi o primeiro episódio de Get Down, pensei comigo mesmo: uma mistura de Cidade de Deus com Todo Mundo Odeia o Chris. Depois de um tempo vi que é possível adcionar Moulin Rouge à essa louca mistura. Luhrmann é mestre em criar tensão alternando cenas entre lugares e situaçoes diferentes: pode ser entre um teste vocal de Mylene e uma cena que Shaolin tem que conseguir bater sua meta de vendas de drogas, por exemplo.
 A primeira temporada da série teve seis (longos) episódios, liberados no Netflix no segundo semestre de 2016. No primeiro semestre de 2017, uma surpresa: uma segunda parte da primeira temporada, com mais cinco episódios. Houveram algumas mudanças no formato como a inclusão de sequências de animação e momentos de mais drama e tensão na trama.
 O rapper Nas (mito do Hip-Hop nos anos 90) é um dos produtores da série e é também narrador, através de raps que contam a história quando mostram o personagem de Zeke mais velho, como um rapper famoso, tocando para uma multidão. 
 É com imensa tristeza que recebi a notícia de que  foi anunciado o cancelamento da série pela Netflix. A série não teve a audiência e repercussão esperada pela empresa de streaming. O mais estranho é que os EUA (e em grande parte, o resto do mundo) vive em função do Rap e da cultura Hip-Hop. Gostam mas não tiveram o interesse de ver como tudo começou. Uma pena.
      
      Francisco de Oliveira Junior 

2 comentários:

  1. Brilhante recomendação! Recordar é viver!
    Achei muito boa a 1º temporada (muito melhor do que esperava). Mas não posso dizer o mesmo dos 5 episódios da 2º... Pelo visto não fui o único!
    Acredito que histórias boas podem (e devem) ter início, meio e fim - como deveria ser essa série.
    Um caso semelhante é Narco.
    Uma história fantástica, bem escrita e que finaliza - como esperado.
    - Ah! Mais terá continuação!
    Sim! Eu sei! Mas outros personagens, outra história.
    Não deveria ser o caso de Get Down?
    Por outro lado, a observação sobre o HIP-HOP é contundente...
    Preconceitos à parte - talvez o grande público de HIP-HOP não seja tão fã de séries assim (ou de leitura, por exemplo!).
    O próprio personagem Books (ganha esse apelido por ler mais do que a maioria e, claro, por escrever também) se mostra uma exceção à regra .
    O Brasil poderia fazer uma séria sobre o RAP.
    Já pensou a história dos Racionais MC'S numa série?
    Eles são um exemplo de grupos que se destacam em letras, qualidade de música e conteúdo.
    Por fim, Get Down vale a pena.

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  2. Assisti o primeiro episódio da primeira temporada da série, que parecia mais um filme pela duração e pela complexidade e confesso que mesmo não sendo muito a minha praia, eu gostei bastante. Infelizmente, no mundo capitalista, tudo depende da audiência, dos números, é o que aparece de bom, tem que acabar, se não são cumpridas essas "metas". De resto, muito boa essa análise da série, passa um retrato geral da mesma. Parabéns e continuem sempre assim.

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