Belgrado, Abril de 1941...
Esta não é um conto sobre a guerra – apesar de haver uma
guerra em seu contexto.
Esse é apenas um dos muitos relatos de sobrevivência
contado por minha avó.
Neste, não se trata das coisas terríveis que a guerra faz
com as pessoas, mas sim no comportamento de uma menina em meio a selvageria que
a guerra apresenta:
Eu tinha Três anos e meios. Morávamos em Belgrado, bem
próximo do rio Danúbio.
Ainda havia uma floresta na região. Bom... Para mim
parecia uma floresta! Era um matagal! Muitas árvores e vegetação alta...
Nosso cachorro havia fugido no meio desse matagal –
floresta! Eu e meu amigo (Miguel) corremos atrás dele. Achamos que ele estava caçando
algum animal, não sei...
Minha mãe sempre me dizia:
- Não corra para longe! E cuidado nessa floresta! Tem
muitas cobras por aí e se você for mordida por uma você morre!
Apesar da guerra, nós como crianças, andávamos soltos,
brincando próxima a casa.
Por causa da guerra, a sensação de fome era constante.
Enquanto corríamos para alcançar o cachorro, vi um homem
perto da floresta. Ele esticou a mão – estava com dinheiro nela.
Então eu parei. Meu amigo continuou correndo atrás do
cachorro.
- Vem aqui menina – disse o homem!
Eu pensei: Que legal! Esse gentil senhor quer me dar
dinheiro! E eu já sabia o que era dinheiro!
Então fui me aproximando dele.
Então percebi que ele, enquanto estendia uma mão, com a
outra segurava algo!
Ele pegou minha mão! Tentou fazer que eu pegasse no que
ele estava segurando!
Quando olhei, achei que era uma cobra! E comecei a
gritar!
O Miguel – meu amigo voltou com meu grito. Viu o homem me
segurando e começou a gritar também!
Havia um posto militar próximo de nós. O homem se
assustou com o grito e correu com medo de alguém no posto policial ouvir os gritos.
Voltamos pra casa em prantos!
- Mamãe! Mamãe! Um homem queria que uma cobra me
mordesse! E eu gritei!
- Como assim uma cobra?
- Ele queria que eu pegasse na cobra e eu gritei!
- Onde estava essa cobra Natália?
- No meio das pernas dele!
Minha mãe ficou chocada!
- Minha filha! Ele mexeu com você? Fez alguma coisa com
você?
- Não mamãe! Eu não deixei a cobra me morder! Ela não me
mordeu!
Em meio à terrível guerra que já existia, ainda havia
pessoas doentias que queriam abusar de crianças!
No próximo dia 25 de outubro, minha avó faz 80 anos! Ela
se lembra de coisas incríveis, como esta. Mas têm muitas outras pra contar!
Minha avó é uma inspiração! Ela é a arte de viver e contar histórias!
Ela é incrível...
Minha avó é uma inspiração! Ela é a arte de viver e contar histórias!
Ela é incrível...
Me encanta a pureza da menina, a capacidade de
memorização da minha avó, a maldade das pessoas e, por fim, a vida...
Não conheço nada mais belo que viver!
Não conheço nada mais belo que viver!
Ela sem dúvida sabe contar histórias muito melhor do que
eu...
Seu pequeno relato, Vovó, é uma das minhas formas de eternizar você!
Não há palavras para falar sobre sua grandeza...
Obrigado!
Texto base: Natalia Adomeit.
Interpretação livre: Herbert Adomeit.









Que venham mais contos da vovó!
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